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sábado, 7 de abril de 2018

Kosinbia


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     A terra de Ghara Oriental é dividida em doze principados, todos governados por príncipes vassalos aos piromantes de Kahonua. Cada principado contém uma capital de mesmo nome. Todos os principados são governados por príncipes, cada um suserano das centenas de tribos em seu território. As tribos diferem bastante em costumes e administração (chefes, conselho de anciãos, aristocracia etc), mas existem alguns pontos em comum: a arquitetura local é marcada por adobe e madeira, com palácios e fortalezas feitos de pedra e terracota; a maioria das tribos assume uma especialização, desde fabricar vidro a lutar, plantar milhete a construir barcos; casamentos fora da tribo são raros, geralmente resultado de acordos e alianças; tribos se subdividem em clãs, cada um com o seu totem ancestral venerado como um espírito protetor; o “Bem” é aquilo que garante o bem-estar e felicidade dos outros, contribuindo para as boas relações entre as pessoas e a boa fortuna da comunidade, cada um fazendo a sua parte em prol do todo; o “Mal” é o que ameaça a harmonia social, desde o egoísmo até as coisas inumanas como doenças e monstros; escarificação é usada para embelezar, demonstrar afiliações e status social; cada distrito de uma capital mantém uma grande chama dia e noite, produzindo uma coluna de fumaça colorida e aromatizada. Kosinbianos se orgulham em dizer que mesmo "estrangeiros cegos e surdos" nunca se perdem em suas cidades, bastando seguir o cheiro característico de cada distrito.

Danxome - A nação mais militarizada, devido a estar na fronteira com o Cinturão Orcoide. Mesmo um aldeão com fome não venderá a lança que carrega, pronto a defender os principados das migrações orcs. Também possui as maiores e mais famosas fundições de canhões em toda Sarba, projetando novidades como canhões compostos. Um principado famoso por sua tropa de elite, as amazonas Ahosi.



Wadai - Dominada por savanas e terrenos áridos. A cultura local é um misto de Kosinbia e Khejal, inclusive adorando outros deuses além de Kahonua. Abrigar uma das pontas da Rota do Marfim faz dos wadaineses comerciantes naturais, revendendo produtos de toda Sarba aos demais principados. Esses dois fatores também fazem com que os demais kosinbianos tenham desconfiem da honestidade e apego às tradições dos wadaineses. Por outro lado, eles não exatamente seguem os costumes khejalis, pois caçam elefantes, ficando com a carne e comercializando o marfim decorado.



 


Masaesyli - Os melhores "elandeiros" (cavaleiros de elandes) de toda Kosinbia. Todo ano, milhares de elandeiros nômades caçam dezenas de milhares de gnus durante a migração desses últimos, um período marcado por festivais e perigos. É tradição que a princesa masaesyliana lidere essa enorme caçada que também serve como treinamento militar para os elandeiros. Aqui, a riqueza de alguém é medida pelo número de cabeças de elandes que possui.








Kanem - Encarregados pelos piromantes de defender as águas kosinbianas, o povo de Bafongo constrói embarcações com grandes canhões frontais para perseguir piratas. Isso os tornam o único principado que não precisa contribuir tropas aos Bastiões do Sacrifício, embora sempre hajam voluntários. O excedente de tropas e navios os levou a estabelecer diversas colônias em regiões distantes, como ao sul de Kavaja e até em certos pontos de Drakazin. As tripulações das galés kosinbianas são proeficientes em fazer as balas dos canhões quicarem na água, aumentando o alcance, letalidade e às vezes atingindo diversos navios.




 


Urewe - Tem mais minas do que qualquer outro principado, extraindo da terra ferro, quartzo, carvão etc. Também são exímios ferreiros, forjando lingotes e itens de aço-carbono. São o único principado que cria cupins para comer e também pela argila do cupinzeiro, com propriedades refratárias excelentes para forjas. O outro artesanato local é a fabricação de vidro. A combinação dos dois resulta em dois produtos sem igual no continente: óculos e telescópios.





  
Chagga - A proximidade com a Baía das Cinzas faz com que a região seja especialmente rica em espíritos, tanto intermediários benéficos entre mortais e Kahonua, quanto espíritos que são fragmentos malignos dos Deuses Mortos. Isso resulta em um grande número de shamãs que em parte substituem os piromantes na burocracia e questões divinas do principado. Eles também conseguem entrar em contato com os totens ancestrais dos clãs kosinbianos. Mesmo pessoas comuns conseguem ter relações com um ou outro espírito e alguns até adquirem poderes no processo. Tudo isso também torna os chagganeses muito supersticiosos, algo razoável em sua região mas quase desnecessário fora dela. A região também contém um grande número de cultistas que adoram os Deuses Mortos, tentando revivê-los com sacrifícios e rituais profanos.





Koya - As minas daqui produzem um terço do ouro mundial. A princesa local é tão rica que evita fazer compras, não por ser pão-dura, mas por medo de desestabilizar a economia kosinbiana como o seu pai fez. Ela também empresta dinheiro a juros modestos, financiando projetos públicos e privados Kosinbia afora e até além. Ela refere a si mesma como "a pessoa mais rica do mundo", o que pode ser verdade. A sua fortuna é tamanha que banca a existência dos "Cavaleiros da Suma-Flama", um grupo de guerreiros que montam híbridos de cavalo e zebra, portando lanças e espadas cujas lâminas são feitas de fogo capaz de cortar aço como manteiga.






Mgonde - É um segredo aberto que o atual príncipe mgondiano é um fantoche da aristocracia arcana local. Não só piromantes, mas magos e feiticeiros de todas as especializações existem aqui. Também pode-se encontrar colégios arcanos, variedades mágicas de pólvora e fetiches poderosos. Várias tribos mgondianas se especializam na confecção de máscaras. Mas esses itens não são apenas decorativos: a máscara de um piromante é um símbolo de autoridade assim como o martelo de um juiz imperial. Outras máscaras servem para o ele deixar de ser si mesmo e se tornar o hospedeiro do espírito invocado para testemunho durante um julgamento. Máscaras tribais também podem ser o equivalente a varinhas arcanas e símbolos de pactos com forças sobrenaturais, sejam benéficas ou malignas. Cuidado para não ofender o espírito que habita a sua máscara ou fetiche, ou ele pode se recusar a emprestar os seu poder.






Khoikhoi - A selva úmida contém a urbanização desse principado. Além da capital, existe um punhado de cidades mas inúmeras aldeias fortificadas contra as ameaças da selva. Cobras, doenças, bruxos, fadas, vampiros... Para alguns habitantes, "selva" é sinônimo de "caos" e "inferno". Poucas trilhas são seguras e a população se desloca pelos rios em canoas. Muitos acreditam que um ou mais poderes malignos se esforçem para manter essa situação. Alguns desbravam a selva para descobrir se isso é verdade, encontrando templos arruinados, enclaves feéricos e necrópoles milenares no processo. O calor e umidade fazem com que o povo vista pouco mais do que saiotes de folhas entrelaçadas e prefira armas de bronze ou latão ao invés de ferro. 








Alodia - O celeiro kosinbiano. Campos de sorgo, inhame, milho, cacau e pomares de baobás se extendem até o horizonte em alguns lugares, mantidos por um sistema de irrigação e aquedutos de terracota. Talvez o principado mais pacífico, populoso e urbanizado. As numerosas estradas de cerâmica mostram uma especialidade local: as bocas alheias dizem que artesãos piromânticos daqui conseguem até criar armaduras de cerâmica, e lâminas de obsidiana, que não se quebram facilmente.






Lunda - Ao contrário da vizinha Khoikhoi, a selva lundiana é quase gentil. Mesmo as queimadas são propositais e administradas pelos druidas locais, que entendem como os biomas que guardam dependem do fogo. Muitos pigmentos exóticos são coletados pela população, tornando esse principado aquele com as cores mais vistosas e variadas. A facilidade coletar plantas medicinais também favorece um grande número de curandeiros e alquimistas. As matas escondem uma população élfica substancial, de uma etnia desconhecida.









Bafongo - Região altamente vulcânica e quase hostil à vida, repleta de planícies de sal, poços de enxofre líquido e lagos ácidos. Os piromantes treinam aqui ao mesmo tempo que beneficiam a economia local: nas caldeiras vulcânicas ativas, aprendem a manipular a lava de tal forma que conseguem extrair coisas valiosas como cobre, granito, chumbo, diamantes e asbesto dos lagos viscosos e incandescentes, ingredientes usados pelos artesãos locais. O povo daqui tem costumes bárbaros: andam em carvão em brasa e se com ferro quente. O calor da batalha e coisas como flechas incendiárias os deixam enlouquecidos e selvagens. Se arremetem contra o inimigo com clavas de arremesso e espadas de madeira incrustada com obsidiana, pele brilhando com suor e tão fora de si que desmaiam de exaustão depois. Muitos kosinbianos se envergonham dessas tribos, pois representam o pior da Kosinbia pré-Kahonua.



Kahonuterasi - Não é um principado, mas a terra santa kosinbiana. Aqui residem os líderes piromantes do culto de Kahonua, dentro de uma montanha que combina cinco vulcões com vários níveis de atividade, lagos termais contrastando com poços de lava. As planícies cinzentas também são extremamente férteis: as encostas do vulcão são terraços de arroz, produzindo um excedente armazenado para ser entregue a regiões passando por dificuldades. As bocas alheias dizem que a própria Kahonua mora no vulcão mais ativo, o "Shira". Sobram monastérios cheios de monges piromânticos discutindo as minúcias do folclore oral kosinbiano, canções, fábulas e preces consideradas tanto valiosas demais para serem escritas quanto para serem esquecidas. Existem muitos sábios, os Miungu 'Midomo, cuja missão divina é serem bibliotecas vivas, armazenando e transmitindo saberes ditos pela própria profetisa Amanirena. Para melhor preservar o que sabem, esses homens e mulheres entram em comas voluntários, sendo acordados apenas em caso de necessidade. Essas pessoas são guardadas com muito afinco contra ameaças mundanas e sobrenaturais.







Kubadilishana - Considerada parte de Kosinbia, apesar de ser uma cidade na Ilha dos Fantasmas Cinzentos. Um paraíso de piratas e corsários vindos "daqui, dali e dacolá", como dizem os locais. Aqui têm tudo o que um pirata precisa, sejam navios, armas, mapas, boatos arriscados e valiosos, tripulantes e até reputações (são capazes de espalhar histórias mundo afora como ninguém). Existem dezenas de línguas, ao ponto de que é moda falar coisas que os outros não entendam, xingar oponentes de maneiras incompreensíveis mas ainda de tom ofensivo, e dizer coisas que soem bem mesmo se parecerem uma hiena engasgando.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Wagadu, a cidade maravilhosa

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...metade da cidade é feita de jardins cheios de baobás repletos de flores e frutas. Cada rua tem uma fonte de água, leite, vinho de coco e mel. Ninguém passa fome ou sede. Muitos ancestrais sábios estão lá, contando histórias que divertem e ensinam. Ninguém fica entediado ou ignorante. Não há porque brigar ou temer por sua vida, pois todos têm o que precisam e orcs não existem lá. Nenhuma arma existe, porque nenhuma arma é necessária.
-Crônicas dos Hipopótamos.

     Existe uma crença em uma cidade maravilhosa em Kosinbia, Wagadu. Um lugar que recebe quem tem força no coração, pois é feita desta própria força. Mas ela existe apenas para quem acredita em si mesmo, nos outros e em Wagadu. Ela surgiu apenas quatro vezes na história conhecida de Kosinbia, abrigando certas pessoas que conseguiram alcançá-la em jornadas perigosas. Em cada aparição, teve um nome distinto: Dierra, Agada, Ganna e Silla. Cada vez, o seu portão ficava em um sentido diferente: norte, oeste, leste e então sul. As bocas alheias acham que o próximo surgimento de Wagadu terá portões em todas as direções cardeais.

     Alguns piromantes de Kahonua dizem que a cidade é uma armadilha dos deuses mortos, mas muitos kosinbianos pensam nela como uma recompensa, talvez da própria Kahonua. Um paraíso que recebe apenas os merecedores. Uma cidade que desaparece apenas quando é alvo de fraquezas como vaidade, falsidade, ganância e revolta. Muitos temem e tentam prever qual a próxima fraqueza que fará Wagadu desaparecer antes que possam a alcancem, para que possam eliminar esta mesma fraqueza de si mesmos. Será hedonismo? Ou talvez uma traição? Ou será que desta vez Wagadu será forte o suficiente para ficar, aguentar as fraquezas humanas e se tornar um paraíso na terra, um prêmio de Kahonua a seus fiéis?

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Haréns Principais

 

    Um harém principal é o harém de um Príncipe ou Princesa de Kosinbia. A maioria de seus ocupantes se encaixa em dois tipos:
  • Indivíduos com habilidades úteis à administração e poder de um principado. Pirógrafos, caçadores, líderes tribais, artsãos, generais, aventureiros, piromantes etc. A coleção de pessoas confiáveis e competentes que qualquer governante precisa para manter a sua posição e/ou a segurança e estabilidade de seu povo, é unida por laços matrimoniais em um principado. Muitos destes laços são simbólicos, tendo mais em comum com o juramento de lealdade de um vassalo a seu suserano do que qualquer relação amorosa.
  • Pessoas sem nada ou ninguém. Orfãos, aleijados, estrangeiros exilados. O harém é uma instituição caridosa que acolhe certas pessoas e lhes oferece um lar, comida, talvez alguma forma de educação ou treino, em troca de serviço ao Príncipe ou Princesa. 

Amazonas de Danxome


 
Vê os oficiais decorados com búzios e gotas de rubis? São dos haréns principais. A maioria é mulher por haver atualmente mais Príncipes que Princesas. Nenhum kosinbiano lutaria por alguém que não está disposto a sacrifícios pessoais. Com os haréns aqui, eles sabem que é necessário lutar contra os orcs ao invés de tribos rivais.
-Instrução comum aos recém-chegados aos Bastiões do Sacrifício.

     O exemplo mais famoso são as Ahosi, apelidadas de "amazonas", do principado Danxome. Estando no extremo norte de Kosinbia, ele guarda os demais principados das migrações orcs. Isto resulta em muitas viúvas e orfãs. O 12º Princípe danxomês iniciou a tradição de acolher estas mulheres em seu harém, treinando-as para que pudessem se vingar dos orcóides. Candidatas tornam-se aprendizes de amazonas. Quando uma delas abate um fera como um crocodilo, leão, hipopótamo, rinoceronte ou elefante, e apresenta o animal ao príncipe, torna-se parte do harém. Na cerimônia de casamento, o príncipe presenteia a sua nova esposa com um dote consistindo de: espada, lança, mosquete de repetição, coroa de búzios, munição e uma armadura, cetro, tambor ou escudo feito do animal abatido. Muitas são virgens ou decidiram nunca dar à luz, embora a relação entre uma Ahosi e sua(s) aprendiz(es) costume ser como adotá-las como se fossem as suas filhas. O status sagrado destas amazonas é confirmado quando recebem bençãos como: balas piroclásticas, bolas de lava com interior líquido incandescente liberado no impacto; jaquetões e brigantinas feitas de "cabelo de Kahonua", fibras de vidro vulcânico dourado e leve. É afiado e quebradiço a ponto que tocar na fibra faz com que farpas finas penetrem a carne, mas as amazonas são sofrem cortes, apenas quem as enfrenta. Ahosi dedicam as suas vidas a caçar orcs. Muitas defendem os Bastiões do Sacrifício, outras ficam meses dentro do Cinturão Orcóide e algumas partem para fora de Kosinbia, exterminando orcs por todo o continente.

Bastiões do Sacrifício



     Reforçando os penhascos de rocha vulcânica do Planalto Mauna, os Bastiões do Sacrifício são uma linha de defesas superadas apenas pela Muralha Ragnarok e os redutos subterrâneos de Kurskgrad. Cada quilômetro é um ziguezague engenhoso de fossos, terraplanagem, paredes inclinadas e grossas. Milhões de tijolos vermelhos marcados por manchas e listras pretas da pólvora e fogo, como a pele de um predador camuflado.



     Os Bastiões ficam ao norte do Principado de Dankome, mas dependem de contribuições e recrutas de toda Kosinbia. O núcleo desta cooperação é o culto piromântico de Kahonua. Estudiosos imperiais estimam que assim,  metade das migrações mensais orcs são eliminadas aos pés das muralhas, e apenas um quarto chega às fronteiras nortenhas. A extensão total dos Bastiões é de 2.700 quilômetros, e mesmo a guarnição permanente de 100.000 kosinbianos tem dificuldade em patrulhar e manter as defesas frente aos ataques orcs, especialmente se coincidirem com os terremotos frequentes. Tijolos de reposição e guindastes são tão ou mais vitais que os canhões e encanamentos lança-chamas, às vezes trabalhando lado a lado para selar uma brecha antes que orcs penetrem as savanas ao sul dos Bastiões e se espalhem por Kosinbia.


Amani - Religião, Guerra e Paz em Harmonia

Kahonua nos ensina que a grande qualidade de humanos sobre animais é não ceder aos instintos. Portanto, agir tão impulsivamente pode trazer uma má vitória, algo que pode ser tão custoso quanto uma derrota.
-Piromante Da'amat ao punir um infrator alvejando um time desmoralizado.

Distrito residencial de Khoikhoi, com o monastério piromântico ao fundo.








     Antes da unificação, Kosinbia era uma terra de conflito tribal perpétuo tal qual os goblinóides são até hoje. Mesmo a fundação dos principados e o culto de Kahonua não anulou as desavenças, rixas e duelos. Para lidar com essa tensão, os piromantes sistematizaram os conflitos na tradição Amani, criando uma paz lubrificada por gastos mínimos de sangue. Uma quadra de duelos sempre é construída e supervisionada por um monastério piromântico. Um complexo típico trata-se de um templo piramidal de terracota vermelha, adornado por tochas acesas à noite e durante cerimônias. A quadra fica diretamente ao lado, permitindo que piromantes observem no combate. Oposto ao templo, ficam as arquibancadas.

     Os duelos funcionam assim: cada facção rival deve enviar um grupo de guerreiros, que formarão linhas em lados opostos da quadra. Quando o juiz determinar, atiram no time inimigo, mantendo sua posição e disciplina. O primeiro time a ceder perderá a disputa. Apesar da fumaça, estrondos e ferimentos criarem um espetáculo macabro, a assistência medicinal pós-duelo garante que quase não ocorram mortes. Se ambos os times esgotarem a sua munição sem que um deles desista, vence quem tiver infligido mais baixas.

Membro do time da tribo Jenne-Jenno.


     Após décadas de prática, estes duelos moldaram o estilo de guerrear kosinbiano, com linhas de mosqueteiros disparando sobre o inimigo, abdicando de armaduras pesadas e quentes em favor de mosquete, escudo e elmo. Uma infração nas regras será marcada por uma bandeira descendo abaixo da sacada do templo, do lado correspondente ao time infrator. Após três bandeiras caírem, o juiz piromante passará a punir os indivíduos infratores, inflamando a pólvora que carregam. Embora raramente letais, tais punições costumam incapacitar instantaneamente, e deixar cicatrizes ou queimaduras proeminentes. As infrações mais comuns são atirar em oponentes caídos ou em fuga.



Baionetas-rolha. Fixadas ao cano de um mosquete,
tornam-o equivalente a uma lança curta iklwa.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Nyokakuba

Kahonua, ó mãe-terra quente, fogo da alma, grande terra rica, mestra do vulcão.
Que seus Fetiches Sagrados protejam a minha tribo e evaporem o mal.

-Prece de Moto Mapokeo Ya (Folclore do Fogo), Volume Doze.


      Os catorze dragões divinos de Kahonua: sangue de magma; escamas de granito e corindon ofuscante; cabeça encouraçada com obsidiana; hálitos capazes de derreter metais; mas o seu maior poder é o de conferir a autoridade divina aos príncipes, para que governem os seus respectivos principados kosinbianos. A cada um deles uma serpente divina é concedida, e as duas restantes guardam a cidade sagrada, Kahonuterasi. Seguindo o exemplo desta última, a capital de cada principado foi construída em torno de uma caldeira vulcânica que serve de ninho à respectiva dádiva da deusa. Quando um novo príncipe assume, a Nyokakuba troca de pele. As escamas velhas são então trituradas para que o pó cubra o novo príncipe, tornando-o capaz de sobreviver a qualquer calor e ao contato físico com a serpente que lhe serve como a coroa serve a reis estrangeiros. Contudo, apenas uma pequena parte deste pó protetor é usada; o restante fica sob controle do príncipe, que concede como recompensa aos heróis e aos campeões que beneficiam o seu principado.


 O ninho da Nyokakuba do Principado de Danxome.

Onde a serpente sagrada rasteja, o solo se torna uma trilha plana de terracota que serve de 
estrada mesmo se não for pavimentada depois com cerâmica em padrões de escamas.

Elandes

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/f8/Western_Derby_Eland_%28Taurotragus_derbianus_derbianus%29_3_crop.jpg

    O elande-comum e o elande-gigante substituem, respectivamente, o boi e o cavalo em Kosinbia, servindo como bestas de carga, montarias, provendo leite, carne e couro. A razão é que estes antílopes são imunes à "doença do sono" transmitida pela mosca tsé-tsé, comum em toda a região. O elande-gigante é um pouco maior que o comum. O nome é porque os chifres são bem maiores, chegando a cento e vinte centímetros de comprimento. Cavaleiros (também chamados "elandeiros") kosinbianos dispensam rédeas, orientando a sua montaria pelos chifres. Rebanhos e patrulheiros montados em elandes são comuns em toda a metade noroeste de Kosinbia. As cores vão do marrom-avermelhado ao vermelho-ferrugem, com listras brancas verticais que variam em tamanho e número conforme a raça.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Origens de Kahonua e Kosinbia

 Sacrificar-se pelo bem maior é uma virtude. Morrer por nada é um pecado. 

-Amanirena “degoladora-de-cobras” Thákame, arauta e profetisa de Kahonua. Prece de Moto Mapokeo Ya (Folclore do Fogo), Volume Cinco.



     Por que Kahonua e piromantes são tão importantes em Kosinbia, a ponto da região menosprezar ou até vilanizar outras formas de magia e outros deuses? É porque a própria idéia de “Kosinbia” nasceu através dos piromantes e a deusa do vulcão.
     
     A região já foi dividida entre uma infinidade de tribos e grupos que podiam compartilhar coisas como língua, raça e  dificuldades, mas não se viam como iguais ou parte de algo maior. De fato, a dificuldade mais comum para todos eram as desavenças e as lutas com tribos vizinhas.

     Neste mundo fragmentado, haviam duas tribos nômades, únicas e relativamente aceitas pelas demais: 


  •  Oayas, predecessores dos piromantes, eram tão respeitados e temidos quanto bruxos, xamãs ou magos, trazendo problemas e soluções em igual medida. Eles adoravam a deusa-zebra Nuami, apenas uma entre muitas outras divindades exclusivas de uma tribo ou outra. A sua mescla de luta sobrenatural e dança ritual era baseada nos movimentos das zebras, e praticada nos arredores de vulcões.


  •  Khayas eram mineiros de ferro e ferreiros ambulantes. Mas como guardavam as suas técnicas para si, eram mistificados pelas outras tribos, pois sabiam como “transformar a terra em lanças e espadas”. O seu totem e deus era o cupim, chamado Kahomi, pois o barro dos cupinzeiros era um dos segredos que usavam para fazer as suas fornalhas.

     Os dois grupos não tinham afinidade entre si. Às vezes, uma criança dos Khayas era enviada aos Oayas pois sua família pensava que ela tinha um talento para a piromancia e vice-versa. Isso era comum entre todas as tribos que se especializavam em alguma arte ou ocupação e tinham jovens que não se encaixavam por alguma ou outra razão, muitas das quais não tinham nada a ver com talento: uma forma benigna de exílio e eliminação das “ovelhas negras” da comunidade.

     Esta foi a origem da futura profetisa Amanirena Thákame. Ela nascera entre os Khayas, mas foi levada aos Oayas após os pais morrerem em um ataque orc que também impediu que os demais tivessem condições de criá-la. A menina não morreu no ataque porque conseguiu fazer com que o orc que matou os seus pais fosse carbonizado na fornalha que usavam. Aquilo foi visto como um sinal de que o seu futuro estava no fogo.

     Já uma adolescente quando entrou nas tribos piromânticas, a sua perspectiva acabou sendo uma mescla da infância ferreira e da maturidade flamejante. Em algum momento incerto definiu ideias de união entre pessoas hostis umas às outras, mas que sabiam falar e amar, contra um mal maior: os orcs.

     Os folclores orais piromânticos oferecem diversas versões para como ela uniu as duas tribos de tal forma que os próprios deuses se fundiram em uma nova divindade que mesclava terra e fogo no símbolo do vulcão, Kahonua. A versão mais romântica é que ela conseguiu realizar um ritual de casamento para um casal de deuses que já se amavam à distância; a versão mais mundana afirma que ela impressionou a tribo ferreira com um fogo tão quente que criava aço e a tribo piromântica ao produzir “fogo da pedra”, a pólvora, e assim convenceu ambas de como o todo podia ser mais do que a mera soma das partes; outra versão fala de que ela se casou ou se envolveu com homens importantes nas duas tribos, influenciando-as através deles; existem também versões mais sórdidas ou pacíficas, trágicas ou místicas. Talvez quem esteja mais perto da verdade sejam aqueles sábios que tentam reconstruir os fatos a partir das muitas versões.

     O que está claro é que ela passou a liderar uma coalizão nômade que usava aço e fogo na forma de lâminas sem igual, artes marciais temperadas com magias impressionantes e algo completamente novo, as primeiras armas de fogo. Canhões e arcabuzes primitivos, moldados em ferro e bronze, usando uma mistura que talvez ninguém teria descoberto se não tivesse a motivação cultural e religiosa para procurá-la: pólvora. Era difícil contra-argumentar que união traz a força quando o resultado explode muros de pedra, assusta homens e animais, mata orcs antes deles encostarem em você e pode ser manuseado por qualquer um com mais facilidade do que arcos, fundas, azagaias e bestas.


     Curiosamente, Amanirena não usava armas de fogo. Ela empunhava a lança Wachumatu e a machete Nyoka-Auaye, feitas do ferro que ficou na fornalha em que empurrou o orc que matara os seus pais, agora lâminas de aço vermelhas de tão incandescentes. Embora a lança fosse usada com mais frequência, a machete era muito mais temida. A profetisa ensinava que matar alguém era um desperdício, pois uma vida pode e deve ser sacrificada apenas em prol do bem maior. Punições já eram algo diferente. Com a lâmina quente, ela cortava e cauterizava criminosos: dedos, orelhas e outras partes que os culpados teriam que aprender a viver sem. Execuções aconteciam apenas quando alguém cometesse tantos crimes que não havia mais partes a cortar.

     Trinta anos depois, ela conseguiu unificar as tribos, organizá-las em principados, instituir a tradição Amani e iniciar a construção dos Bastiões do Sacrifício. Quando o seu dever foi cumprido, veio a recompensa: a deusa do fogo e da terra transformou a sua profetisa na primeira Nyokakuba, mãe de todas as demais. E nessa forma Amanirena vive até hoje em seu ninho, a caldeira vulcânica sagrada chamada Kahonuterasi.



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