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sábado, 6 de janeiro de 2018

Legiões Imperiais

     Formadas a partir das ordens ducais. Cada ducado tem o dever de manter uma ordem de 2000 cavaleiros, pronta para ser convocada pelo senado e integrada com outras duas para formar uma legião montada de 6000 guerreiros. Se um ducado não dispor destas tropas ou não comparecer, o duque pode perder o título e todos os direitos anexos. Tradicionalmente, legiões são compostas por uma ordem de cavalaria leve, uma média e uma pesada, tornando-as um exército versátil e independente. Se necessário, podem desmontar e lutar como infantaria. A categoria escolhida por um ducado costuma depender das finanças, tradições e valores locais, mas há exceções.

 
  • A cavalaria leve é chamada de Antesigna. Sua função é reconhecimento, escaramuça, perseguição e combate à distância. Dificilmente lutam em corpo-a-corpo, mas servem de isca para emboscadas, atormentam a retaguarda inimiga com projéteis, limitam o movimento do mesmo com campos de estrepes, etc. A carga da cavalaria pesada pode quebrar um exército, mas alguém precisa perseguir os perdedores e impedi-los de se reunir.
    • Um exemplo é a ordem do ducado Taranto-Partan, que se orgulha de nunca carregar nada além de um arco, flechas e uma adaga, jamais deixando o inimigo se aproximar. Provocam perseguições para então se virarem para trás e alvejar seus perseguidores em plena fuga.
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  • A cavalaria média é chamada de Clivânia. Sua função é ser flexível, podendo reforçar ou substituir as outras duas categorias. Para tanto, combinam armas à distância e corpo-a-corpo, podendo explorar pontos fracos nas linhas inimigas com projéteis e espadas.
    • Os cavaleiros do ducado Dacnovoloi são estimados como a cavalaria média arquetípica. Carregando diversas armas e boa proteção, podem executar diversas táticas e papéis em uma única batalha.
    • Já o ducado de Theridamas é um exemplo das variações dentro de uma única categoria. Desdenham armaduras, cada cavaleiro carregando um arco composto, uma lança e dois machados. Lutam com tamanha ferocidade e determinação que são considerados cavalaria média. Esta herança tribal se reflete no próprio nome: Theridamas significa "matador de bestas", e consideram que um verdadeiro cavaleiro deve retornar ao lar com um troféu de caça e uma arma quebrada por excesso de uso. Exibem capas feitas com peles e couro, como leopardos, thoratus, rinocerontes e pangolims-gigantes.
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  • A cavalaria pesada é chamada de Katafractária. Sua função é combinar ótimo equipamento, disciplina impecável e treinamento constante para trespassar as linhas inimigas com cargas avassaladoras. Costumam dar o ataque decisivo depois das outras cavalarias fazerem a sua parte. Exemplos incluem:
    • Os Gendarme Beliqueuse, que ostentam as riquezas élficas de Sycamore em suas armaduras, e décadas de treino em suas cargas. E após o desempenho de Lorella, a Roseira, espinhos.
    • A ordem ducal Charônia, cujos garanhões agressivos podem ser um perigo ao cavaleiro e mortais a quem enfrentam. Dizem que seus cavaleiros valem por dois outros, pois a montaria frequentemente ataca com coices, mordidas e chifres metálicos. Creditam a agressividade dos cavalos a eles descenderem das lendárias linhagens trácias.
    • Já a ordem ducal hussarda usa lanças tão longas que nem falanges estão seguras de serem trespassadas por um cargaque quebra as lanças dos cavaleiros. Os seus cavaleiros também usam asas falsas que produzem um som terrível em movimento, assustando o inimigo.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Exército Imperial

    O exército imperial é composto por variados tipos de milícias, recrutas e soldados profissionais encontrados por todo o império do norte. Sua quantidade e extensão geográfica impossibilita uma padronização completa, embora algumas atitudes logísticas imperiais e simples questões econômicas assegurem algum grau de uniformidade entre a maioria. Treinamento mínimo e atividade sazonal, armados com lança, escudo, arco, besta, maça e pique, razoavelmente protegidos graças à fartura de placas de ferro para confeccionar armaduras. Ainda assim, diversas tropas regionais se sobressaem entre esta massa guerreira. Isto se deve a dois fatores: 
 
  • Diferenças culturais, geográficas, econômicas e históricas garantem um vasto panorama de estilos marciais, estandartes, atitudes guerreiras, qualidade de treinamento e experiência em batalha. Mesmo tropas usando equipamento de segunda mão cedido por baronatos vizinhos buscarão se diferenciar, nem que pelo arranjo de componentes da armadura. E muitos exércitos nortenhos foram aniquilados pela falta de coesão entre seus integrantes.
  • Muitos baronatos de grandes proporções foram fundados em regiões com habilidades guerreiras que o império buscou manter, providenciando milhares de recrutas e mercenários a ducados vizinhos pacíficos mas preocupados com sua segurança.

Calímera, a arma favorita de milicianos (e bandidos) anões: uma maça barata e versátil, perfurando o que não consegue quebrar. O nome significa "bom-dia" no idioma thorakitai.


    Exemplos da elite militar nortenha incluem: bandos vindos de tribos aliadas nas bordas do império, atraídos por honra e ouro; espadachins feltros com suas espadas desenvolvidas para desmembrar trolls; magos sycamorianos em hipogrifos atacando os flancos inimigos com fogo e relâmpago; falanges mistas, escudeiros anões protegendo mosqueteiros humanos dos pés ao peito; mercantes-em-armas, fornecendo tudo o que um exército precisa formal e informalmente, ou apenas quer; hobgoblins que se distinguem dos komatai apenas na terra e ideais que defendem; conclaves de campo escoltados por campeões divinos, convertendo pela palavra e exemplo.

Baronatos





 
     Baronatos são criados pela coroa por necessidades estratégicas, e geralmente incluem um território que os torne autossuficientes. Alguns baronatos treinam tropas especializadas; outros produzem armas, criam montarias, constróem carroças e galés de transporte e guerra; há aqueles que guardam minas de ferro, florestas com madeiras valiosas e outros materiais vitais ao império; a maioria protege fronteiras e outros pontos estratégicos como estradas, pontes e rotas comerciais, sendo um misto de estalagem, pedágio e estábulo de aluguel, geralmente fortificado e guarnecido e às vezes incluindo um farol. Um baronato pode servir a mais de uma função, ou cumprir uma necessidade estratégica distinta. Por exemplo, o baronato de Falkner fornece a maioria dos cavalos, mulas e outras montarias para o império, e é uma parada importante da ferrovia norte-sul. Durante a expansão do império, diversos povos valorizados por suas capacidades de luta se tornaram baronatos após serem conquistados, criando centros de recrutamento para tropas especializadas em terreno montanhês, engenharia etc. Falkner é famosa por seus cavaleiros com alabardas.
 
 
      Enquanto os ducados elegem senadores para representá-los na capital, os baronatos dependem do imperador, dando poder político e econômico a um cargo outrora cerimonial e militar. Atualmente, são uma nobreza paralela, que faz das palavras do imperador ações concretas.

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      Os componentes mais fabricados são lamelas, que podem reforçar roupas, couro e cota de malha ou até constituírem uma armadura por si só, incluindo elmo e escudo. Muitas tropas regionais se distinguem pelos arranjos de componentes, às vezes mais ornamentais que defensivos. Este sistema também permite que soldados em marcha reparem ou reciclem armaduras.

 

     Equipamento de padrão "munição" costuma usar ferro em vez de aço. Alguns ferreiros supervisionam diversos times de escravos, cada grupo sabendo fabricar apenas um componente. Tais peças seguem especificações padronizadas o suficiente para criar um mercado negro de equipamento imperfeito, mas também permite que uma armadura possa ser montada com componentes de diversas regiões. Graças a isso, soldados e até milícias costumam estar bem protegidos.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Arsenal Divino

   Descansem se quiserem
Lutem se puderem
Chamem se precisarem
-Lema

      A fortaleza dupla é um asilo para viciados em guerra, estabelecida no Vale da Culpa Cicatrizada. Todos lá dentro precisam lutar pela cidadela negra ou pela cidadela vermelha, as duas facções presentes no interior das muralhas cercando o vale. Pra alguns, é o paraíso; Para outros, o inferno. Para todos, a guerra perpétua onde qualquer um pode tornar-se um veterano. No Arsenal Divino encontram-se: massylli, centauros mestres nos mosquetes de repetição kosinbianos; degoladores goblins que se esgueiram por baixo das lanças inimigas e apunhalam virilhas; bestas dracônicas que servem como lança-chamas vivos; mempo heikegani, samurais prodigiosos que reencarnaram em máscaras-caranguejo e transmitem sua força e saber a seus portadores (e pupilos) . Todos parte de um ambiente voltado ao selecionamento de agentes da guerra tão naturalmente quanto dois formigueiros na disputa de um bosque. Existe diplomacia, tréguas para cuidar dos feridos, duelos honrados. Paz, nunca.

      As cidadelas eram originalmente idênticas, mas séculos de combate, cercos, reformas, inovações, danos e reparos as tornaram disformemente únicas e mais perigosas, com traços militares de todo o continente de Sarba: muralhas goblinóides que mesclam madeira, pedra e terra; bastiões estrelados kosinbianos, eliminando pontos cegos para armas de fogo; concreto anão de secagem quase instantânea; taquaras eólicas de Kavaja, diminuindo o peso total da construção. Das colinas, visitantes, potenciais recrutas, apostadores, nativos e peregrinos podem assistir à tragédia camuliana neste teatro de guerra.

      Finalmente, Ourago Redemptor é um título concedido por Camulus a certos indivíduos, seguindo desígnios enigmáticos. O titular torna-se apto a recrutar e comandar habitantes do Arsenal Divino.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Camulus, Deus da Guerra




Poeira, seus cabelos

Muralhas, barba

Impactos, voz

Guerra, sua arma

Eis Camulus

Deus da guerra e da medicina.
Nomes e Epítetos: Mirmidal, Marcha'dor, Magnos Veterani,
Estratelate, O Implacável, Ataraxio.
Tendência: LN Domínios: War e Knowledge


Símbolo: Duas torres de xadrez, uma preta, a outra vermelha.


    Camulus detesta violência sem sentido. Ao contrário dos deuses bárbaros estrangeiros, ele não glorifica crueldades. O deus da guerra a utiliza como uma ferramenta em prol dos que o reverenciam:


Massacre o inimigo e não resta o que conquistar.
Deixe de atacar e você perde a iniciativa.

-Primeiro comando de Camulus

    Guerreiros merecem morrer lutando. Assim decretado, o culto camuliano mantém hospitais militares que combatem as pragas arruinadoras de tantas campanhas passadas, sejam elas cólera, pestes ou parasitas.  A maior condecoração camuliana, Phalera Liber Lupanaribus, entre outros privilégios, torna seus possuidores prioridade no atendimento médico. Nos intervalos entre guerras os hospitais buscam prevenir epidemias.


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Na maioria das guerras, morrem mais guerreiros no acampamento do que na batalha. Camulus não aceita isso.


    O ideal do guerreiro visa ao domínio de si mesmo, seus medos e instintos. Assim adquire tamanha disciplina que sorte, acasos, magia e outros fatores não dilapidam sua força, resistência e habilidade, nem o seu próprio julgamento o antagoniza. Seguindo este dogma, os sodalícios, sacerdotes de Camulus, focam-se em milagres capazes de anular tais influências.


Na guerra, nada é constante. Você deve ser a sua própria fortaleza.
-Segundo comando de Camulus

Os bárbaros canalizam sua fúria em explosões de violência. Eles são amadores.
O guerreiro ideal sempre usa sua fúria, para lutar, marchar, determinar.

-Quarto comando de Camulus


O guerreiro ideal sabe que coragem não é nada além de medo destilado.
Os fracos se vangloriam. Os fortes se dominam.

-Oitavo comando de Camulus

    Camulus surge no mundo como a Falange Camuliana, um avatar coletivo de 300 mercenários que geralmente se associam com a facção mais fraca para tornar o conflito mais duradouro, exigindo soldados para repor as futuras perdas da falange. Apresentam-se trajados com armaduras opacas e denteadas, sem ornamentações opulentas, rostos ordinários cravejados de cicatrizes, endurecidos pelo cansaço. No entanto, a sincronização enervante nas ações dos membros demonstram sua natureza divina. Além de piques carregam diversas outras armas, nas quais são igualmente proficientes.

domingo, 1 de outubro de 2017

A Roseira


Testemunho de Lorella D'Martel Scavélle, centuriã da Legio Quinta Sycamoria Victrix, em 1412. Sua alcunha, “A Roseira”, lhe foi concedida após o cerco de Sycamore, a capital de Sycamore e mais antiga das figueiras gigantes feidralin em todo o império, na batalha de desfecho da Guerra das Revanches de 1399-1402. Durante a carga decisiva, seus catafractários resistiram a milhares de projéteis. Após a batalha, Scavélle e sua montaria possuíam não menos que trezentos e vinte flechas, azagaias e dardos cravados em suas armaduras, e mais alguns que haviam penetrado na carne. Desde então, ela e os cavaleiros e montarias de sua ordem de origem, os Gendarme Belliqueuse, portam armaduras repletas de espigões, estilizados como espinhos em um alto-relevo dourado.

Tinha acabado de matar o gigante que me atacara com uma clava feita de um canhão rachado, gastando a última poção logo após. Alguém havia dito que os clarões no horizonte eram Diveus cauterizando os olhos de Trumuskerra, mas não sei se é verdade. Na hora só pensei em como estava com fome e sede e cansada. Por falta de campo aberto, as legiões estavam lutando a pé. As nossas montarias estavam seguras nas adegas. As mesmas eram defendidas por falanges anãs engalfinhadas com goblins tentando destruir as raízes subterrâneas de Sycamore. Eu lutava no topo das raízes, tentando impedir que os invasores as queimassem. Mesmo se isso não derrubasse a cidade, a fumaça poderia asfixiar os habitantes e refugiados nos distritos na copa da figueira gigante. Os arqueiros élficos tinham a vantagem da altura, mas os komatai retaliavam com balistas. Isso resultava em escaramuças inconclusivas.

Após oito meses de cerco, tínhamos um último plano, a tática da Garra de Uraçu. Algumas construções seriam desabadas, seguido de disparos contra os comandantes inimigos. A ideia era desorientar os goblinoides, permitindo uma investida montada. Minha tropa seria parte da vanguarda, abrindo o caminho para o restante das legiões. Assim que instauraram a confusão, avançamos raiz abaixo em formação de cunha. 


Os goblinoides são guerreiros naturais, mas indisciplinados mesmo em condições favoráveis. Lembro que um minotauro de quatro chifres reforçados correu de cabeça baixa em nossa direção. Ele urrou algo incompreensível mas igualmente ofensivo, percebeu que estava sozinho, parou incrédulo, olhou para trás e foi pisoteado por nossas montarias. Morreu confuso. Aí começou a chuva de flechas, respingos de metal estalando nas nossas armaduras. Gritamos "Dégustez notre élan!" e nos arremetemos à horda. Conseguimos traspassá-la logo na primeira carga, mas então veio a parte difícil. Tínhamos que manter a brecha para que a coluna principal pudesse passar.

Na cavalaria sycamoriana, ainda nos ensinam a usar lanças médias sobre o ombro para corpo-a-corpo entre tropas montadas e infantaria. Ótimo, porque quando minha lança quebrou, só resmunguei, girei meu braço para cima e usei o contrapeso afiado para alfinetar os infelizes que tentavam cortar os meus pés. Anos de prática resumidos em uma hora de reflexos mecanizados, desviar ou cortar, cortar ou desviar. Eu me via pensando em quantos pontos de dor eu sentia,  quais incluíam uma flecha roendo minha carne. Também ficava em dúvida se as gotas escorrendo pela minha espinha eram de suor, sangue ou ambos. 


Um desgraçado tentou remover uma azagaia cravada no lombo da minha montaria. O coice da minha égua o deixaram engasgado com um pedaço de ferradura para sempre. Girei para evitar novas surpresas e só enxerguei um carretel de morte e gritos de dor. O que eu ouvia era igualmente solitário. Eu me lembrei da história do comandante cantando no escuro para manter suas tropas unidas, e resolvi tentar o mesmo. Comecei o hino de Sycamore, e no segundo verso, já não cantava mais sozinha.

Enquanto ganhávamos tempo, os demais galoparam por todo o redor dos sitiantes, escaramuçando, destruindo suprimentos, investindo em retaguardas desprevenidas. Eu temia que a moral dos goblinoides nunca fosse ceder, até que pânico aqui e ali se espalhou tão rapidamente que pareceu uma represa estourando covardes e desertores em todas as direções. Depois seguiram algumas horas de perseguições, destruição de acampamentos e obras de cerco, resgate de prisioneiros e contra-pilhagem. 


Eu não estava em condições de participar, devido a uma flecha alojada no meu tapa-olho; se ele não fosse reforçado, teria perfurado meu crânio, o que teria atrapalhado meu dia. Na revista de prisioneiros pós-batalha, o hobgoblin que fez isso se identificou. Kafnius clamava que a minha bravura o fez mirar na minha cabeça para que minha alma não ficasse presa dentro dela após minha morte. Típica bobagem bárbara. Assim que deixei o hospital de campo, fiz questão de recrutá-lo como vigia noturno para a legião. Não se desperdiça uma mira boa assim em trabalhos forçados