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sexta-feira, 23 de março de 2018

Yara-ma-yha-who


A ponta do dedo de um yara-ma-yha-who, com os ferrões retráteis saindo das ventosas.
                     
   Os yara-ma-yha-who são um tipo de nefilim encontrado nos arredores das Terras Inquietas, emboscando quem passa pelas matas onde preferem se esconder. Humanoides, tem o porte de anões, mas são cobertos de pelo vermelho e com uma cabeça desproporcional. A bocarra desdentada, garganta e barriga podem se dilatar, permitindo que um yara-ma-yha-who engula até um homem adulto. Pessoas engolidas por ele vão passar por uma transformação, sendo eventualmente vomitadas como um novo yara-ma-yha-who. A criatura também têm ventosas nas pontas dos dedos, tornando-a capaz de escalar paredes e tetos, assim como sugar sangue.

 

Yara-ma-yha-who

Medium monstrosity, chaotic evil

Armor Class 15 (natural armor)
Hit Points 72 (13d8 + 13)
Speed 20 ft., climb 40 ft.

STR DEX CON INT WIS CHA
14 (+2) 13 (+1) 13 (+1)   6 (-2) 10 (+0) 3 (-4)

Skills Stealth +4
Senses darkvision 30 ft., passive Perception 10
Challenge 2

  • Engorged. When it has swallowed a creature, the yara-ma-yha-who takes only half the damage dealt to it (rounded down), and that creature takes the other half.
  • Shielded Mind. The yara-ma-yha-who is immune to scrying and to any effect that would sense its emotions, read its thoughts, or detect its location.
  • Standing Leap. The yara-ma-yha-who's long jump is up to 20 feet and its high jump is up to 10 feet, with or without a running start.
  • Suction cups. The yara-ma-yha-who can climb difficult surfaces, including upside down on ceilings, without needing to make an ability check.

ACTIONS

  1. Multiattack. The yara-ma-yha-who makes two drain blood attacks.
  2. Drain blood.  Melee Weapon Attack: +4 to hit, reach 5 ft., one target. Hit: 8 (1d12 + 2) piercing damage. The target's hit point maximum is reduced by an amount equal to the piercing damage taken, and the yara-ma-yha-who regains hit points equal to that amount. The reduction lasts until the target finishes a long rest. The target dies if this effect reduces its hit point maximum to 0. 
  3. Bite. Melee Weapon Attack: +4 to hit, reach 5 ft., one target. Hit: the target is grappled (escape DC 13). Until this grapple ends, the target is restrained, and the yara-ma-yha-who can't bite another target.
  4. Swallow. The yara-ma-yha-who makes one bite attack against a Medium or smaller target it is grappling. If the attack hits, the target is swallowed, and the grapple ends. The swallowed target is blinded and restrained, it has total cover against attacks and other effects outside the yara-ma-yha-who. It can have only one target swallowed at a time. If the yara-ma-yha-who dies, a swallowed creature is no longer restrained by it and can escape from the corpse using 5 feet of movement, exiting prone.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

A Geleira Ambulante

 

    Vermelha como sangue, ela veio das Terras Inquietas em um ritmo lento. Às vezes ela para e 
estende pseudópodes de gelo rubro, como se procurasse algo pelo tato. A sua forma muda ao cobrir rios, planícies e vales em uma jornada de destino desconhecido. Basta uma piscada para que um declive torne-se um precipício, duas para que surja uma avalanche que absorve árvores, pedras e aldeias abandonadas.

     O próprio Diveus interveio com um bombardeio de luz escaldante em 1408 P.I., derretendo porções e criando rios de sangue fétido e maldito. Desde então, a Geleira permaneceu onde está, como se estivesse adormecida, ferida ou até aguardando por algo. Fortalezas nortenhas e grouras vigiam o horizonte coagulado da Geleira, enquanto estudiosos e aventureiros se aproximam para tentar compreender o que ela é. O próprio ar ao redor é tão seco que a respiração é difícil, os pulmões doem conforme a umidade lhes é roubada. Alguns já foram vítimas de súbitas correntes de ar que os congelaram a ponto de transformá-los em estátuas de gelo. Outros sofreram com tempestades de granizo em forma de dentes. Nevascas próximas fazem surgir flocos de neve afiados que sugam o sangue de quem se aproxima, criando manchas anêmicas na pele. Os flocos empapados com sangue formam enxames que voam para a geleira, deixando-se absorver como se a alimentassem. A Geleira está sempre faminta por água e outros fluidos que possa congelar e usar para crescer.

   Os sobreviventes dizem que a Geleira parece estar viva de alguma forma, que os sons das rachaduras no gelo parecem as palavras de algum deus adormecido. Uns poucos que foram mais longe falam que há uma imensa forma sob o gelo, como se a Geleira fosse apenas uma crosta. Se ela prende ou protege, não sabemos ainda. Sete adivinhos imperiais foram usados para tentar prever algo a respeito da Geleira, todos acabaram em hospícios com olhos cegos ao ficarem secos e murchos.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Bakbakwalanooksiwae e Regurgitado


     A Baba Yaga me contou de mais um monstro nefilim hoje. O gigante chamado Bakbakwalanooksiwae. Apesar de ser invisível, ela diz que ele é um gigante porque o contorno formado pelas centenas de bocas visíveis que cobrem o seu corpo deixam a sua forma clara. Estas bocas sopram um vento frio para paralisar vítimas. Mas quando se trata dos nefilims, sempre há mais horror. As vítimas sobrevivem no estômago do gigante, transmutadas em algo que a bruxa apelida de "regurgitado" porque saem pelas bocas depois. Um regurgitado parece uma grande cabeça em carne viva com dentes serrilhados e duas máscaras ósseas no lugar de olhos. Os ferimentos viram novas bocas que querem se curar. E para isso tentam arrancar nacos de carne que mastigam até sumirem.
 -Braços por Segredos: conversas com as irmãs Yaga, por autoria de Valéria Afanasyev



Bakbakwalanooksiwae
Huge monstrosity, chaotic evil

Armor Class 15 (natural armor)

Hit Points 144 (14d12 + 60)
Speed 50 ft.

STR          DEX       CON           INT         WIS       CHA
20 (+5)     9 (-1)     20 (+5)     10 (+0)     14 (+2)     4 (-3)
 


Saving Throws Str +10, Dex +4, Con +10, Int +5, Wis +7, Cha +2
Skills Athletics +8, Perception +5
Damage Resistances cold
Senses passive Perception 15

Challenge 9

  • Supernatural Resilience The Bakbakwalanooksiwae gains +5 for its saving throws.

ACTIONS

  1. Multiattack. The regurgitado makes as one extra "bites" attack for every 14 lost HPs. It loses an extra "bites" attack when it heals 14 PVs.
  2. Bites. Melee Weapon Attack: +9 to hit, reach 10 ft., one target. Hit: 17 (6d4 + 5) slashing damage. It heals an equal amount to the damage dealt. 
  3. Cold Breaths. The Bakbakwalanooksiwae an icy blast of hail in a 15-foot cone. Each creature in that area must make a DC 13 Constitution saving throw, taking 12 (6d4) cold damage on a failed save, or half as much damage on a successful one.




Regurgitado
Medium monstrosity, chaotic evil

Armor Class 13 (natural armor)


Hit Points 80 (10d6 + 40)
Speed 40 ft.

   STR       DEX       CON          INT          WIS       CHA
16 (+3)     8 (-1)     19 (+4)     10 (+0)     10 (+0)     2 (-4)

Skills Perception +2
Senses passive Perception 14

Challenge 2

ACTIONS
  1. Multiattack. The regurgitado makes one bite attacks plus one more for every lost 10 HPs. It loses an extra bite attack when it heals 10 HPs. 
  2. Bite. Melee Weapon Attack: +5 to hit, reach 10 ft., one target. Hit: 4 (1d4 + 2) slashing damage. It heals an equal amount to the damage dealt.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Zarabatana

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/97/Fukiya.jpg
     Aquilo que apelidei de "zarabatana" é um exemplo da perspectiva distorcida dos nefilims. É um tipo recente, modelado após nefilims serem alvo de armas de fogo. Então fizeram um franco-atirador, equipado com carne ao invés de metal e pólvora. Imagine um homem sem braços, que teve toda a boca puxada até formar um longo funil de osso recoberto com pele. Não tem nariz nem olhos, mas tem muitas, muitas narinas para aspirar até os pulmões incharem como sanfonas nas costas. As lambidas da língua comprida lubrificam o interior do "cano", o que foram orelhas servem como um bipé que o estabiliza quando está agachado em pernas cujos joelhos dobram para a frente tal qual pássaros. A língua carrega o projétil. Nesse momento ele exala, e cospe um dente pontudo com força suficiente para sumir dentro de um tronco de árvore. 
-Braços por Segredos: conversas com as irmãs Yaga, por autoria de Valéria Afanasyev

Zarabatana

Medium monstrosity (nefilim), chaotic evil

Armor Class 15 (natural armor)
Hit Points 65 (10d8 + 20)
Speed 30 ft.

STR DEX CON INT WIS CHA
12 (+1) 18 (+4) 15 (+2) 13 (+1) 16 (+3) 4 (-3)

Skills Stealth +6
Senses blindsight 120 ft., passive Perception 13
Languages Common
Challenge 4


  • Magic Weapons. The zarabatana's weapon attacks are magical.
  • Shielded Mind. The zarabatana is immune to scrying and to any effect that would sense its emotions, read its thoughts, or detect its location. 
  • Tooth Projectile Regrowth. The zarabatana has 60 teeth. They regrow after it finishes a long rest. 
ACTIONS
  1. Multiattack. The zarabatana makes three attacks with its teeth projectiles. 
  2. Tooth projectile. Ranged Weapon Attack: +7 to hit, range 120/300 ft., one target. Hit: 13 (2d8 + 4) piercing damage.
  3. Bite. Melee Weapon Attack: +4 to hit, reach 5 ft., one target. Hit: 7 (1d8 + 3) piercing damage. 
  4. Omniphagia (4-6). Ranged Weapon Attack: +7 to hit, range 120/300 ft., one target. Hit: the target must succeed on a DC 14 Constitution saving throw or take 13 piercing damage, 6 if it passes on the test. The zarabatana recovers an equal amount of hit points to the damage caused. Objects automatically suceed at the test.

Baba Yaga

     Primeiro, o mais importante: existem três Babas Yagas. Se fossem pessoas, seriam irmãs briguentas como se encontra em qualquer família. Também são inconstantes: não é possível confiar nem que elas sejam maldosas, pois uma pode ajudar alguém para atrapalhar ou irritar as outras. Muitas pessoas escapam de serem a próxima refeição de uma Yaga porque são outra Yaga interfere. Eu acho que nem elas conseguem se distinguir; uma Yaga sabe quem ela é, mas não sabe diferenciar as outras duas. Isso não as impedem de conspirar umas contra as outras, com consequências catastróficas para quem for envolvido nessas tramas.

     Ainda assim, essa rivalidade me salvou, pois eu consegui convencer uma delas a me aceitar como uma aluna que a ajudaria contra as irmãs. Não direi nada do que tive que fazer, exceto que ainda dói, e que limpar aqueles dentes de ferro foi a tarefa menos desagradável. Em troca aprendi segredos que nunca usei nem jamais usarei: como comer uma alma e ficar tão leve que consigo flutuar; de que forma alguém cria um tacape que petrifica quem é atingido por ele; como esconder um coração em um ovo; e muitos outros feitiços.

     Alteradas pelos nefilims, uma Yaga sempre busca carne para mastigar com seus dentes de ferro, mas continua raquítica como uma espinha de peixe não importa o quanto coma; os olhos são escuros como carvão, mas brilhantes como brasa quando ela lança feitiços; pode esticar braços, pernas e o nariz, para melhor farejar e agarrar as suas vítimas. Quando você achar que está longe de uma delas, confie em mim: duplique essa distância. O caldeirão e o pilão que cada Yaga leva consigo não tem nada de especial, são só ferro marcado por dentes e manchado de ferrugem. Existem apenas para elas amassarem e cozinharem as suas vítimas, e elas sempre os carregam porque a fome nunca para.

     Cada uma tem três criaturas que as acompanham:

     Um par de mãos sem corpo, mas que flutua e se move como o tivesse. São apenas ajudantes, com unhas sujas e nenhum poder especial. A Yaga ficou brava quando notei o anel dourado em uma das mãos, e acho que esse anel as controla.

     O Cavaleiro Errante: mudo, honrado e bondoso a ponto de te salvar de um perigo sem hesitação, mas isso não passa de um ardil para capturar pessoas para a respectiva mestra. Usam elmos para esconderem a falta de uma cabeça, que suspeito serem usadas como reféns para que as Yagas garantam a lealdade de seus cavaleiros. Eles são diferenciados pelas cores (vermelho, preto ou branco), que são a única maneira que sei distinguir as irmãs (mas elas não sabem).

     Mas apesar de terríveis e poderosas, as Yagas são apenas agentes dos verdadeiros monstros: as Cabanas, nefilims que as usam para interagir com o mundo. Isso é verdade, eu podia sentir as janelas me focando. E o meu reflexo nos vidros, às vezes, mirava em direções que eu não estava olhando. Andam sobre enormes pés de galo, e no lugar da fechadura há uma boca com dentes que abre para quem a alimentar. O espaço lá dentro é muito maior que do lado de fora: existem muitas salas que nem a Yaga conhece. Uma vez consegui esconder uma vítima em uma delas, apenas para descobrir que a Cabana percebe tudo o que acontece dentro de si.

     Você pode já ter ouvido uma ou duas histórias de heróis que mataram uma das bruxas. Esses contos são verdadeiros e eu mesma presenciei uma Yaga morrer, mas enquanto a Cabana existir a bruxa volta à vida. Haviam salas sempre trancadas; os sons e exalações que saem por baixo daquelas portas úmidas me fazem pensar que ali ficam os órgãos vitais da Cabana.

     As crianças ouvem de seus pais que a floresta da bruxa é escura e silenciosa, com fungos venenosos e árvores espinhentas. Isso é porque a presença nefasta da Cabana corrompe o ambiente ao redor: as árvores tremem e quebram até ficarem cheias de lascas pontiagudas e repletas de fungos negros que crescem nas feridas. A vassoura de fios prateados da bruxa é capaz de restaurar o rastro de destruição deixado para trás, mas ela só o faz quando acha que está sendo seguida.

Nefilins

 
 Caso alguém deseje saber, o que se pode descobrir sobre a origem dos Nefilins é isto: Antes de quase tudo, rebelião e conflito geraram perdas e desastres. Nenhuma vitória, pois a guerra continua. Muitos dos horrores gerados foram criaturas concebidas de formas caóticas e corrompidas. Um acidente criou um lugar onde trancafiá-las, uma prisão para todo aquele excesso de carne errada. Uma vez postas lá, foram esquecidas por motivos mais imediatos, imensos e perigosos. Este lugar não possuía terra, ar, fogo, nem água, apenas criaturas e seus carcereiros.

Fome era inevitável, e a única coisa em comum entre tudo ali. Em um momento errado em muitos sentidos, criaturas específicas eliminaram as barreiras entre reprodução e canibalismo, devorando-se umas às outras e defecando filhotes mais fortes. Nessa geração, vontade de viver e de comer se igualaram e se uniram, exponenciando a fome deles além dos demais prisioneiros. Trinta gerações depois, a competição havia sido eliminada, parcialmente sem querer. Ainda assim, estavam presos e fadados à extinção, mas a história da Criação é feita de planos que falharam. Quando Gênesis destrancou a porta pelo lado de fora, ele libertou algo que não sabia distinguir entre fome e voracidade. 
-Braços por Segredos: conversas com as irmãs Yaga, por autoria de Valéria Afanasyev


Uma conglomeração de criaturas e entidades diversas com as seguintes características em comum:
  • Originários do “Abismo”, a dimensão dominada pelos Nefilim. Originalmente a maior das zonas efêmeras, agora é um reino maldito com vontade própria e o mais próximo que Nefilim tem de um símbolo valorizado por todos.
  • Parasitismo. Nefilims requerem força vital (prana) para se reproduzir, o elemento do qual almas de mortais e a essência de deuses são feitas. Cada tipo de nefilim infecta o hospedeiro de uma maneira diferente: fluidos, processos digestivos e dentes larvais são apenas algumas das formas. O que ocorre a seguir depende da força espiritual do hospedeiro, se a sua alma é adequada para gerar um novo nefilim. Por exemplo, um hospedeiro fraco pode formar teratomas roxos com consistência de um ovo mal-cozido, que crescem até a vítima morrer por falta de sangue. Já um hospedeiro forte pode aguentar por duas semanas enquanto a sua carne se calcifica até parecer um casulo feito de osso com um nefilim no interior.
  • Grande variação física. Suspeita-se que nefilim fossem originalmente uma única espécie, mas que rapidamente passou por muitas mudanças devido às capacidades inatas de manipulação de tecidos animais. Além disto, é comum haverem mutações de geração para geração. Alguns nefilims são capazes de instantaneamente manipular e deformar a carne de seus inimigos.
  • Um sentimento que mescla “fome” e “gula”: sempre precisam comer, mas sempre comem mais do que precisam.
  • Omnifagia: nefilims consumem qualquer entidade possuindo traços de energia vital, sejam fauna, mortais, fantasmas ou deuses. Além disto, alguns são capazes de consumir os próprios elementos que permitem a vida, criando regiões acinzentadas onde o ar não é respirável e não há água.
  • Incapacidade de se relacionar com mortais. Contudo, certas entidades nefilim são capazes de transformar mortais em '‘avatares’' ou '‘embaixadores’'. Os exemplos mais conhecidos são: as Irmãs Yaga, servas das casas bípedes que as acompanham; Ellequin, avatar da Decarabia que permaneceu em Ghara após o fim da Invasão Nefilim; e o Homem do Saco.
  • Inconsistência. Nefilim dificilmente conseguem cooperar entre si, ou planejar algo. Competem uns com os outros constantemente. Esta é a sua maior fraqueza. Se a Invasão Nefilim tivesse sido de fato organizada de forma competente, talvez Ghara não tivesse sobrevivido.
  • Imunidade a adivinhações, oráculos e afins. A falta de uma alma ou essência baseada em prana os torna alheios à malha de ley, impossibilitando que sejam detectados ou previstos.

Para aprender o que relato neste livro, eu tive que conversar com criaturas tão ruins que eu teria 
pena da cobra venenosa que as mordesse. Este livro é para transmitir tudo o que sei sobre os 
nefilims, para que ninguém nunca mais tenha de passar pelo que passei quando eles vieram. 
E acho apropriado começar pelos seres com que fui obrigada a conviver. 
-Braços por Segredos: conversas com as irmãs Yaga, por autoria de Valéria Afanasyev

domingo, 1 de outubro de 2017

Dhalikastra


Eu vi uma floresta feita de árvores cujas raízes eram feitas de centenas de dedos, cada um com milhares de juntas; brotando frutos oculares e flores auditivas; tronco com casca óssea e dentes no lugar de espinhos; grandes volumes de cabelo ao invés de folhas. Talvez algum nefilim tenha tentado criar uma árvore...  
-Litua Kortos, lilim da guarnição de Dhalikastra.

     A fortaleza serve de chamariz para nefilins há quatrocentos anos, atraindo os males das Terras Inquietas. Se um dia algo conseguir conquistar o lugar, a guarnição tem o dever de alertar o mundo disso. Dhalikastra tem a forma de um prisma hexagonal titânico, vermelho e brilhantre em meio a uma paisagem de um cinza opaco e morto. O brilho é a aura emitida pela deusa Dhalila em pessoa. Ao mesmo tempo que sustenta, protege e cura os defensores, a luz atrai os nefilims como se fossem formigas atrás de açucar. E quando eles vêm, os guardiões se reúnem em sacadas muradas e atiram de portinholas, protegidos por armaduras de adamante pesadas e rústicas. Essas mesmas armaduras podem ser reforçadas com couro e tecido para protegerem o usuário dos elementos tóxicos e o ocasional vácuo das Terras Inquietas. Todo elmo deve ser capaz de fixar um visor de seiva-vidro e um filtro contra miasma.

    O castelão atual é Volya "Smeyas". Um shardokan loiro, de olheiras escuras e manchas cinzas nos braços, portando um lança-granadas com fecho de pederneira. Como todos que se fixam aqui, adotou um novo nome para uma nova vida, deixando seu eu anterior fora das Terras Inquietas e do terror que elas geram:

A minha babuskha, Valéria, contou de como o homem que ela amava foi atacado de dentro para fora, e de como ela teve de matar o que sobrou. Ela contou de uma viagem que durou um ano a mais do que deveria, sendo acordada no meio da noite por uma sensação de dor e encontrando marcas de dentes e gotas de saliva onde doía. Que Corallin perdoe a minha baba por incendiar uma floresta para escapar da Coisa que Ri. Quando a baba morreu, eu sacrifiquei cinco ovelhas a Corallin para que a alma dela reencarnasse em uma vida melhor. E então vim até aqui. Volya significa 'liberdade'. Eu passei a minha vida inteira com medo das histórias sobre os terrores e carnificinas que ela presenciou. Cansei de ter medo, cansei de ser uma vítima destas coisas desgraçadas de dentes larvais. Agora, mesmo em meio ao inferno, vivo feliz. Você não imagina como é bom estar aliviado, livre do próprio medo que me era mais íntimo do que os meus parentes. Meu apelido aqui é Smeyas, que significa 'o risonho', por que sou capaz de rir nas piores situações. Metade por desespero, metade pela felicidade em finalmente reagir a meu medo, totalmente pela chance de explodir um nefilim.

     Assim como Volyas, a maioria dos defensores tiveram a sua vida marcada por nefilims de uma ou outra maneira. Muitos vieram de colônias de exílio para aqueles que sofrem com lepra nefilim, administradas pela Ordem Lázara.

Qualquer pessoa pode se voluntariar, independente de raça, crença, crimes e status. Por mais honra que possa haver entre homens e deuses, entre inimigos no campo de batalha, não pode haver honra ou paz entre mortais e nefilims. Os próprios lilins concordam com isto. Todos somos iguais frente aos nefilim, somos comida e diversão. Eles vão se arrepender de nos ensinar a sermos iguais.

     Aqui também fica um observatório celeste para identificar ninhos cadentes nefilim e o local da queda. A maioria deles vem do Anel Ghariano, sendo portanto ricos em adamante. Expedições de Dhalikastra ou da Ordem Lázara partem para eliminar a infestação e clamar direitos sobre o asteróide. Parte do adamante extraído, seja por eles ou por pessoas contratadas, é destinado a Dhalikastra. O restante é vendido para manter as colônias de exílio e o culto de Dhalila.