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sábado, 6 de janeiro de 2018

Maciço de Orgothorax

     O Maciço de Orgothorax é um planalto de terra pedregosa onde residem as petrópoles dos clãs thorakitai. Mesmo que a etnia esteja espalhada pelo império e além, esta é a sua terra natal, onde os líderes dos clãs residem, negociam, brigam e recebem os juramentos que definem a sociedade thorakitai. A agricultura é difícil mas os tesouros minerais são incontáveis; ao contrário de outras raças, anões glorificam a mineração a ponto de excluir escravos, usando-os apenas em fazendas. Metade da população é humana, trabalhando nas fazendas de seus senhores e, no caso de escravos, mestres, anões. Amaranto, linho, cevada e olivas são os plantios principais. A pecuária é basicamente composta de cabras, thoratus e ovelhas. Quando matriarcas e patriarcas precisam discutir assuntos importantes para muitos clãs, se reúnem em Tyrintha: a maior e mais cosmopolita das petrópoles, um centro de comércio e mineração, e a capital do primeiro ducado semi-subterrâneo. 



     Esse é o ponto de partida para a colonização da cordilheira, a última área considerada civilizada. Isto é graças aos thorakitai, que se estabeleceram aqui após a diáspora trazida pela queda do império amaranto, séculos antes da existência do império do norte. E se a região parece segura, é devido aos seguidores de Thorak, o visionário que os guiou até este planalto: a mentalidade defensiva thorakitai é estabelecida literalmente em pedra, cada família compartilhando uma torre, cada quarto um andar; aldeias parecem sentinelas dominando os pontos altos nos arredores; cidades são apinhadas com torres, a "muralha" sendo simplesmente uma interligação das torres externas; estes mesmos povoados parecem pequenos até alguém visitá-los e ver como o mercado, salão comunal e outras áreas importantes ficam sob a terra.


     Mesmo depois que todos os pântanos foram drenados, apenas um quinto do solo é útil para a agricultura, nas planícies separadas por terras altas irregulares. O restante é muito rochoso e seco, ou simplesmente morros e montanhas onde reside a verdadeira riqueza local: minérios. Dos sempre úteis chumbo e ferro à prata e ametista que tantos buscam, Orgothorax é a maior concentração de minas do império do norte. Operações de mineração alcançam escalas enormes:  aquedutos e represas são construídos para lavar o solo macio, expondo a rocha abaixo; encostas são escavadas para que os túneis sejam inundados, desmoronando em morros de pedregulhos a serem filtrados atrás do minério.

Para compensar as dificuldades e perigos sob a terra, empregam engenhos movidos pela água, vento e thoratus, os grandes tatus locais que são para anões o que cães são para humanos.

     Os metais, junto com madeira e outros, sustentam a outra riqueza local: artesanato. Desde couraças de linho e arneses de placa a brinquedos e engenhos de madeira, não há profissão mais respeitável entre os thorakitai do que ser um artesão. Isso faz com que a raça como um todo se identifique mais com Ourgos, o deus do trabalho, do que outros deuses.

sábado, 7 de outubro de 2017

Beli-vuskha


     É dito que beli-vuskhas são apenas as fantasias de shardokans solitários nas montanhas. Ficar sozinho durante anos, caçando animais, cortando gelo ou procurando minérios pode levar alguém a imaginar muitas coisas que preenchem o silêncio.

     Isso tem um fundo de verdade, se pensarmos na história mais popular para explicar a existência delas: de que antes mesmo do império existir, um ou mais anões montanheses isolados esculpiram mulheres de gelo que ganharam vida graças à poderosa benevolência de Corallin. Elas eram geladas ao toque, mas isso não era um problema para uma raça que pode ficar de tanga durante uma nevasca. Os novos casais se tornaram famílias unidas em um novo clã, chamado Katusha.

     O clã prosperou por centenas de anos, embora tenha ficado claro que os descendentes de beli-vuskhas e shardokans são apenas beli-vuskhas. Mesmo depois de enterrar os corpos de seus amados, as matriarcas imortais continuaram a viver com as suas filhas em uma cidadela, agora chamada "Katusha". Para não derreterem, estas donzelas precisam ficar nas montanhas mais altas. E enquanto muitos temem o frio e fome no inverno, beli-vuskhas adoram a oportunidade para descer às terras quentes e falar com os seus habitantes, aliviar a solidão e até encontrar o amor. Em caso de perigo, podem causar hipotermia com um simples toque, conjurar projéteis de gelo e ventos tão fortes que levantam uma pessoa do chão.

     Outra história contada entre os shardokan é a da beli-vuskha Katusha Aniyu. Essa aventureira da neve pode ser distinguida por sua pele pálida, olhos cor de safira e cabelos ondulados e azuis como o mar. Ela está sempre vestida em uma pele de urso grossa e com ornamentos coloridos. Pepitas de gelo eterno no interior permitiriam que Aniyu viaje além dos limites das outras. Sua meta é acumular uma fortuna para comprar tanto gelo eterno que ela e suas irmãs possam viver e até morar em qualquer lugar do império.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Thorakitai, etnia anã.

      Das petrópoles mais profundas até as imensas fortalezas monolíticas. Das linhas de frente resistentes em combate a celebração no salão comunal. O orgulho e honra são pináculos que exprimem com perfeição o povo thorakitai.


O thorakitai mais conhecido no império do norte é Kosuf Dagda Dedos D'clava, sacerdote de Ourgos, 
Portador dos Socos de Diamante, Defensor do Pináculo, Grão-mestre da Ordos Malica.


História e Folclore

 

     Embora já existissem muito antes, quase todos os registros thorakitai são de depois da queda do império amaranto. A diáspora thorakitai foi realizada em pequenos grupos, a qual uma vez estabelecidos, criaram torres para habitações e proteção. Isto tornou-se um costume. Cada vila é marcada por diversas torres comunais e ocasionalmente unidas a outras construções, incluindo outras torres. As cidadelas thorakitai, formadas durante o período inter-imperial, chamadas atualmente de colinas-mãe, surgiram de cadeias de torres unidas por fortificações extras. Cedo ou tarde, cada clã começaria a expandir sua cidadela colina abaixo, utilizando acres de terra para reforçar as defesas, ampliar a colina, e até mesmo aterrar parte das construções. Muitas destas, são hoje quase indistinguíveis de túneis escavados.

      As lendas anteriores dizem que os thorakitai possuem um ancestral em comum, os Myrmidai, nascidos de formigas reforjadas e treinadas por Ourgos até surgirem os primeiros anões. Estes então usaram as lascas remanescentes do processo para forjar as primeiras ferramentas de sua raça, e assim, provaram a Ourgos que ele havia criado sua maior obra de arte. A coleção de ferramentas de quitina lhe foi apresentada, a qual usa até hoje, por puro orgulho paternal, como um mestre feliz por seu aprendiz... uma raça de aprendizes do deus do trabalho.

     A formiga ainda é um animal simbólico para os thorakitai: ambos constroem túneis subterrâneos elaborados; carregam grandes pesos em marchas obstinadas; são resilientes, comunitários e valentes, sendo capazes de trabalhar incansavelmente e cooperativamente na escuridão temida pelos demais povos. Colinas thorakitai já foram comparadas a entradas de formigueiros, inclusive, no fato de que ambas se elevam acima do solo para prevenir que os túneis sejam alagados pela chuva, no cuidado quanto à escolha da localização, materiais e ventilação. A poesia thorakitai é famosa por comparar um anão de armadura e picareta, com uma formiga de mandíbula forte.

Os Tradicionais Anões

 

     Fisicamente, os anões thorakitai exemplificam a imagem mais popular da raça: homens e mulheres de físico enrijecido e forte, de baixa estatura -- mas ainda de tamanho Médio -- e com uma mentalidade que tende a manutenção dos bons costumes e tradicionalismo cultural.

     Outros pontos clássicos da raça é o seu amor pelas bebidas fortes, principalmente a cerveja que costumeiramente produzem, e a importância que o núcleo familiar e os ancestrais tem em sua cultura. Por manter elos fortes com o clã, os anões -- todos eles, mesmo Shardokan -- tendem a ser aliados muito leais. Quando são devotos a uma causa, não comumente são os primeiros a se lançar a frente de um combate, quando necessário. Temor e covardia é algo que praticamente não existe no vocabulário da raça.

     Mesmo que os Thorakitai se mostrem como os clássicos anões de fantasia, Ghara é um mundo diferente e essa diferença também reflete em um povo tradicional como este. O maior exemplo desta discreta distinção talvez seja o seu passado: thorakitais não possuem um ódio ancestral frente a
goblinóides e outros povos. Qualquer um pode vir a se tornar um bom companheiro de aventuras se demonstrar o seu valor. Ainda assim, os thorakitai tratam outras pessoas com a devida cautela até que realmente se mostrem quase ou tão austeros quanto eles e dignos de serem chamados de "companheiros" ou "amigos". Um Thorakitai geralmente é o último em um grupo a aprender a confiar em um estranho.

     Thorakitai são artesãos notórios em muitos campos além das armas e armaduras: sapateiros, alfaiates, toneleiros, encanadores, fazedores de brinquedos; todos os objetos comuns que, assim como armas, são vitais para uma civilização. A propensão à luta é uma consequência do quanto valorizam os resultados de seu trabalho duro. Isso também explica o desgosto por orcs: animais que só conseguem destruir e comem os produtos de ferro que alguém, muitas vezes um anão, demorou horas ou dias para criar. Isso faz com que a raça como um todo se identifique mais com Ourgos do que outros deuses.

Os Clãs e os Juramentos

 

     Clãs thorakitai são agrupados em torno de juramentos comuns, não a relações familiares. Quanto mais juramentos um indivíduo realiza e mantém, mais ele ascende dentro do clã. Intermediários entre clãs devem prestar um mínimo de juramentos mútuos. O juramento básico é defender o clã e a respectiva "colina-mãe", local onde a comunidade formada por aquele clã se situa. Daí, surgem inúmeros juramentos relativos a questões específicas de administração, batalha, aprendizado em guildas etc. Muitos até mesmo incluem elementos antagônicos para evitar que um thorakitai possa acumular muitas atribuições, direitos e deveres, assim portanto centralizando todo o poder em si. Em tempos de problemas, existem juramentos temporários em que se presta lealdade a um tirano, que servirá como comandante supremo do clã até o fim da crise.

     Todos concordam que há poder no juramento de um thorakitai, mas os anões vão além, clamando que a durabilidade de artefatos do clã é devido a juramentos de seus fundadores. Que lâminas seriam afiadas e escudos ficariam intactos enquanto o clã mantivesse suas juras comunais.

Locais de Importância:

  •  Colina-Mãe Korakas - As colinas-mãe são muito mais raras fora da zona do Império do Norte. Uma delas, ao menos, é bastante conhecida por sua atuação dentro do território da república Kavaja. Lar do infame clã Korakas, a colina conta com três torres hexagonais esculpidas perfeitamente em rocha e que podem ser retraídos através do solo graças a um complexo sistema de correntes e roldanas de pedra criada pelos anões no subterrâneo. Liderados pela matriarca Rugana Korakas, estes thorakitai atuam como escravocratas, capturando selvagens da região e revendendo-os como mercadorias dentro dos territórios do Império do Norte. Apesar da desconfiança, a falta de provas impede que ações mais enérgicas sejam tomadas para combater o clã. Representantes do próprio Império do Norte negam qualquer ligação com estes anões, contudo.
  • Maciço de Orgothorax - um planalto de terra pedregosa onde residem as petrópoles dos clãs thorakitai. Mesmo que a etnia esteja espalhada pelo império e além, esta é a sua terra natal, onde os líderes dos clãs residem, negociam, brigam e recebem os juramentos que definem a sociedade thorakitai. A agricultura é difícil mas os tesouros minerais são incontáveis; ao contrário de outras raças, anões glorificam a mineração a ponto de excluir escravos, usando-os em fazendas. Quando matriarcas e patriarcas precisam discutir assuntos importantes para muitos clãs, se reúnem em Tyrintha: a maior e mais cosmopolita das petrópoles, um centro de comércio e mineração, e a capital do primeiro ducado semi-subterrâneo. A mentalidade defensiva thorakitai é estabelecida literalmente em pedra, cada família compartilhando uma torre, cada quarto um andar; aldeias parecem sentinelas dominando os pontos altos nos arredores; cidades são apinhadas com torres, a "muralha" sendo simplesmente uma interligação das torres externas; estes mesmos povoados parecem pequenos até alguém visitá-los e ver como o mercado, salão comunal e outras áreas importantes ficam sob a terra. Dos sempre úteis chumbo e ferro à prata e ametista que tantos buscam, Orgothorax é a maior concentração de minas do império do norte.
  • Petrópole de Tyrintha - a capital do recém-formado ducado Tyr. Esta fica no tepui Rochedo da Corcunda Quebrada, assim chamado por ser uma colina monolítica de calcário cujo topo foi fendido pela ação da água fluindo da cordilheira montanha acima. O duque é Isthmas Ferroso de Tyrintha, Elo Forte da Corrente. O epíteto é por ter transformado a sua cidade no entreposto de praticamente toda a cordilheira, realizando juramentos com múltiplos clãs anãos que raças menos longevas, pacientes e barbudas jamais conseguiriam. E esta foi a parte fácil. Administrar laços de lealdade a mais de quarenta clãs diariamente exibe retórica, política e muitos cabelos brancos. Dezenas de câmaras acomodam tornos mecânicos, martelos, moinhos, furadeiras e diversas outras ferramentas. Martelos e bigornas comuns na superfície chegam a ser incomuns aqui, tamanha a infraestrutura e capacidade do maquinário. Muitas madeiras e metais entram para virarem pregos, canhões, talheres, elmos, cimento e muitos outros artesanatos. Tyrintha é a fonte de quase toda a pólvora produzida no império do norte. Isto a torna tão valiosa para o império que em 1400 PI ela se tornou a capital de um tipo de ducado nunca antes visto. O senado aceitou que as substanciais áreas subterrâneas contassem para o território minimo que um ducado deve ter.
  • Reino-Petrópole de Akrosan - as montanhas Akros são uma região gélida na borda oeste da grande cordilheira Hamask-Barbagia. A cidade de Akrosan domina um pequeno território entre as fronteiras de Kavaja e o império do norte. Esta petrópole foi fundada em uma cratera na encosta de uma montanha de pico afiado, enriquecendo com o adamante minerado do meteoro que criou a fenda. Dezenas de clãs thorakitai convivem aqui sob a regência da rainha-matriarca Meredith II. A cidade lembra uma escada titânica na forma com que terraços foram talhados da rocha, adornados por cataratas e torres comunais em forma de estátuas.

Traços dos Thorakitai

     Os thorakitai podem ser representados com os mesmos traços de um típico Anão das Colinas (consulte o Livro do Jogador).

Petrópole de Tyrintha, capital do ducado Tyr.


     Tyrintha é a fonte de quase toda a pólvora produzida no império do norte. Isto a torna tão valiosa para o império que em 1400 PI ela se tornou a capital de um tipo de ducado nunca antes visto. O senado aceitou que as substanciais áreas subterrâneas contassem para o território minimo que um ducado deve ter. O recém-formado ducado Tyr tem como capital a Petrópole de Tyrintha. Esta fica no tepui Rochedo da Corcunda Quebrada, assim chamado por ser uma colina monolítica de calcário cujo topo foi fendido pela ação da água fluindo da cordilheira montanha acima. Um parapeito fortificado protege a fenda, mas a mesma é visível a um quilômetro de distância, sorvendo a água do rio Nabia por diversas cataratas que se unem cidadela adentro para reconstituir o rio na base do rochedo.

     O duque é o thorakitai Isthmas Ferroso de Tyrintha, Elo Forte da Corrente. O epíteto é por ter transformado a sua cidade no entreposto de praticamente toda a cordilheira, realizando juramentos com múltiplos clãs anãos que raças menos longevas, pacientes e barbudas jamais conseguiriam. E esta foi a parte fácil. Administrar laços de lealdade a mais de quarenta clãs diariamente exibe retórica, política e muitos cabelos brancos.

     Espaços públicos como a câmara são iluminados por centenas de tochas alimentadas por encanamentos que levam a um bolsão de gás. Mas esta inovação é recente: o chão e as paredes da cidade inteira ainda têm marcas de ranhuras e runas em alto-relevo, feitas para serem lidas com as mãos e sentidas nas solas dos pés. Isso permite que alguém possa navegar pelos corredores e câmaras na mais completa escuridão. A milícia local é treinada a lutar no escuro e a duelar com piques.

     As Campainhas são um trio de trabucos cujos contrapesos são sinos gigantescos, produzindo baladas ensurdecedoras a cada disparo. Ding, Dong e Bang estão instalados em um templo de Camulus acima das grades por onde o rio Nabia sai de Tyrintha. Estas armas de guerra são queridas pelos habitantes mesmo em tempos de paz, sendo disparadas durante festivais e para avisar o fechamento e abertura dos portões da cidade.

Lugares

 

     A Tumba dos Gigantes é o nome da câmara antecedendo a petrópole em si, assim chamada pelos gigantes mortos aqui durante a conquista do rochedo. O extermínio completo foi comemorado com troféus na forma de múmias enormes vestidas em armaduras de pedra. Já os habitantes atuais tentam compensar a injustiça que os seus ancestrais cometeram ao massacrar os antigos moradores destas cavernas. O pedágio inclui um pequeno sacrifício às múmias. Além disto, rituais e grandes sacrifícios tentam aliviar a vergonha que os thorakitai sentem pelos atos de seus antepassados, assim como a fúria que as almas dos gigantes ainda possam sentir.

Câmara Travertina

 

     A área principal é uma obra-prima da natureza, da engenharia e da agricultura. Esta caverna foi escavada pela ação do rio Nabia, que some no fim de um desfiladeiro cem quilômetros rio acima e emerge aqui. Balsas com mercadorias vindas tão longe quanto Sclaveni navegam pela escuridão. Times de "gancheiros" as conduzem, usando ganchos de cabo longo em fendas e correntes nas paredes para mover as embarcações. Desembarcam no topo da caverna, em docas talhadas na mesma rocha que forma a represa separando o porto da maior catarata subterrânea conhecida.


Entre um terraço e outro, diversos moinhos geram força para o maquinários das oficinas. Os mecanismos de transmissão são baseados em alavancas de madeira interconectadas, e são tão extensos e complexos que aqueles envolvidos em sua manutenção formam uma guilda própria.

     A piscina em cada terraço funciona como uma fazenda de fungos. Eles crescem em estalagmites semi-submersas, nutridos pela água turva e os detritos orgânicos que ela deposita no fundo. Anãos continuamente cortam com machados os esporocarpos crescendo nas fendas das pedras para alimentar a cidadela. Escuros e linhosos, esses cogumelos ganham um sabor e aparência melhores após serem recheados com carnes e vegetais e irem pro forno. Com os terraços agindo como decantadores e os fungos como filtros, a água no ultimo terraço fica potável. Os cardumes de trutas que sobem por aqui durante a época de reprodução rendem tantas redes cheias que os habitantes comem peixe curado o ano todo.

     Diversos túneis se ramificam da Câmara Travertina, levando a dormitórios, salões comunais, refeitórios, oficinas e salas. Thoratus bem-treinados puxam pequenas carroças em trilhos, carregando pessoas e mercadorias.


Salão de Todos os Clãs

 

     Este é um enorme salão comunal onde os clãs thorakitai resolvem desavenças, negociam acordos e realizam juramentos de ajuda mútua. As paredes são cobertas de escudos com os brasões de todos os clãs reconhecidos pelo império. Cada brasão é feito dos minerais encontrados na colina-mãe do respectivo clã. Alguns espaços vazios onde a rocha nua fica visível representam clãs desonrados, exilados ou simplesmente extintos. Muitas negociações são paralelas à política nortenha, tratando de questões apenas entre anões. Ainda assim, Os resultados raramente divergem dos objetivos imperiais. O senado imperial atual foi moldado a partir desta antiga instituição diplomática.



Oficinas

       Dezenas de câmaras acomodam tornos mecânicos, martelos, moinhos, furadeiras e diversas outras ferramentas. Martelos e bigornas comuns na superfície chegam a ser incomuns aqui, tamanha a infraestrutura e capacidade do maquinário. Muitas madeiras e metais entram para virarem pregos, canhões, talheres, elmos, cimento e muitos outros artesanatos. Técnicas tyrinthinesas para construção e utilização de fornalhas são tão desenvolvidas que existe uma guilda dedicada apenas à produção de fornos para criar metais, vidro, tijolos, cerâmica e até a secagem da cevada para cerveja. Através desta guilda, muitos materiais vitais ao império são produzidos. Certas áreas estão tão permeadas com o cheiro de enxofre e outros produtos que os artesãos adotam uma moda local em que o bigode é cultivado de forma a cobrir as narinas.Que é então besuntado com ervas, especiarias ou óleos para abafar os odores.

     Mas o essencial é a pólvora: morcegos são criados em diversos aquíferos geotermais onde o guano cai na água quente para que os anãos pesquem os cristais de salitre depois. Incomodar ou comer estes animais é um crime grave em Tyrintha. Grandes fornalhas fazem carvão vegetal da madeira que antes servia como a balsa vinda de rio acima. Combinados com o enxofre vindo de lugares como Sangue-da-Terra, fabrica-se a pólvora para os canhões nortenhos e a expansão das minas tyrinthinesas.


Câmara Corallina

     Um jardim dedicado à beleza mineral da deusa Corallin. A batente da entrada é um arco natural de basalto com veios de quartzo vermelho que fluem e se ramificam como veias. Fissuras em ziguezague nas paredes parecem ao mesmo tempo relâmpagos e arco-íris, exibindo veios de cristais que brilham na escuridão. Uma estalactite espiralada no centro desce até se afundar no enorme caldeirão natural de mármore com um centro esburacado pelas gotas d'água. E por todo lado, estalactites e estalagmites que servem de troncos para arbustos de agulhas cristalinas em tons vermelhos e laranjas, azuis e verdes, cristais tão delicados que é proibido tocá-los.

Labirinto Monástico

       Uma área escura e desabitada da petrópole é labiríntica e quieta, morada dos Eremitas Pétreos. Cada um fica no fim de seu túnel escuro onde o olfato capta os odores rochosos e os ouvidos sentem as palpitações do coração. Uma vez por dia, acólitos recolhem baldes de dejetos e deixam uma pasta insossa mas nutritiva e água. Fechados em si mesmos, imersos em úteros de pedra, os eremitas meditam e comungam com o planeta, buscando uma verdade maior que nem eles sabem definir. Alguns vieram por vontade própria, outros foram exilados de seus clãs. É dito dos primeiros que eles aprenderam verdades menores sobre o reino mineral, e dos segundos que eles já sabiam verdades escandalosas do reino mortal. Alguns dos monges estão aqui há tanto tempo que as gotas de calcário dissolvido formaram uma camada de resina mineral cobrindo-os até a cintura. Em um ou dois séculos, estes anões poderão ser nada mais do que estalagmites sagradas.

Subterrâneos

  Doze grandes minas, e muitas minas menores, somam milhares de quilômetros de túneis e cavernas com mais de um quilômetro de profundidade. Daqui sai calcário, zinco, carvão, prata, chumbo, mármore, cobre e mercúrio. Além disso, existem complexos de cavernas não-mapeadas à espera de alguém que compre os direitos de explorar e extrair o que quer que haja nelas. Quando a cidadela tornou-se capital de um ducado, muitos donos de minas ganharam títulos aristocráticos: marqueses, condes e viscondes. Os seus palácios e mansões agora ocupam o topo e interior das colinas nos arredores de Tyrintha. Alguns converteram túneis esgotados em fazendas de fungos suculentos que realizam radiossíntese, mas o ducado ainda importa frotas fluviais inteiras de grãos de seus vizinhos.

     Todos sabem que parte da pólvora produzida em Tyrintha está sendo usada para expandir as minas, mas nem os mineiros parecem saber dizer o quanto. É certo que os thoratus empurram cada vez mais vagões lotados com minério a ser triturado, inclusive de túneis outrora abandonados por não valerem mais a pena. Como ninguém mais consegue fazer uma pólvora boa para explodir rocha e mantê-la seca nas condições úmidas do subterrâneo, os anões envolvidos e as suas técnicas são um segredo valioso. O ducado está inclusive enfrentando pressão no senado de outros feudos interessados em obter informações, clamando que isso é importante demais para ficar nas mãos de um único ducado quando poderia beneficiar minas por todo o império. O senador de Tyrintha se defende dizendo que se o objetivo fosse apenas esse, poderiam muito bem contratar os serviços da guilda de mineração tyrinthana. A resposta é de que isso causaria problemas com as guildas locais e de que também devem-se considerar aplicações militares. Foi neste ponto que o senador de Tyrintha chamou os rivais de "covardes estúpidos", mas os guardas chegaram a tempo de impedir ferimentos graves entre a elite política imperial. Enquanto isso, o duque de Tyrintha está tomando medidas para que continuem falhando em roubar os segredos da mineração explosiva.

     Diversos túneis e sistemas de cavernas mal explorados levam alguns a pensar na possibilidade de colonização subterrânea intensa, caso consigam reproduzir as técnicas de agricultura telúrica de Kurskgrad. Os mais ousados clamam que há um fundo de verdade nas lendas sobre Baetylus, o "útero mineral" de onde anões teriam surgido para lentamente subir à superfície. Existiriam traços arqueológicos como múmias mineralizadas ou potes com restos de besouros translúcidos indicando um labirinto sob o continente ou mesmo o planeta inteiro. Muitos, inclusive anões, consideram isso besteira: se a raça tivesse uma origem tão única, como seria compatível física e mentalmente com humanos, silberines e outros a ponto de gerar prole? Na falta de uma recompensa clara e motivadora, aventureiros tem descido apenas se contratados para mapear túneis ou escoltando estudiosos na busca por algo que justifique uma expansão das "subfronteiras" imperiais.